domingo, 8 de março de 2020

Atravessando o deserto

Sem dúvidas, os dias após a terceira cirurgia foram os mais difíceis! E, de fato, os médicos nos avisaram que seria uma intervenção maior, justamente para vasculhar profundamente os locais onde estavam se formando os hematomas. E, por isso, era previsto mais tempo de internação.

Até mesmo os drenos, dessa vez, causavam uma sensação mais incômoda, pois parecia um balde de sangue ao lado dele.

Pois bem, no dia seguinte, observamos que ele estava muito, muito sonolento. Para que ele se alimentasse, era preciso estalar os dedos, chamando-o, e mesmo assim, os olhos se fechavam.

Quando o neurocirurgião passou na visita, disse que podia ser pelo estresse da operação. E que do jeito que ele estava, não ia adiantar muito ficar insistindo para que ele ficasse acordado.

Enquanto ele apagava, eu percebia minha mãe com aquele olhar bastante preocupada e cansada.

Depois, as poucas palavras que ele falava, parecia que era com dificuldade - apresentava um pouco de rouquidão e estava com dificuldade de engolir. Poderia ser da entubação. Após alguns dias, descobriram que ele estava com feridas na garganta e na boca, então era complicado mesmo para comer e beber.

Ainda, como ele não podia se levantar nos primeiros dias, foi colocada fralda. Então, aconteceu algo chato - ele ficou sem percepção para urinar. Como esta situação era delicada! E nós queríamos avançar esta parte e pular para a fase em que tudo voltava a ficar bem :(

Os médicos conversavam muito com a gente e falavam que a permanência na UTI era muito ruim pois o paciente ficava sem noção do exterior, sem ver uma janela, sem contato com o mundo... e que isso ia passar ...

Nesses momentos, Deus nos sustentava e nos ajudava a tirar força de onde não havia mais força.


segunda-feira, 2 de março de 2020

Terceira intervenção

Dia 12 de fevereiro de 2020.

Logo pela manhã, eu e minha mãe fomos para o hospital ficar com meu pai na UTI. Como ele estava bem lento no dia anterior, não sabíamos como seria o estado dele.

Ao chegarmos lá, a aparência dele já estava bem melhor. Estava até se comunicando bem, com exceção dos olhos que estavam um pouco úmidos demais e ele forçava para deixar aberto.

Mas, o simples fato de ele ter melhorado, já foi suficiente para nos tranquilizar mais.

Às 14h30, vierem buscá-lo para o centro cirúrgico. Durante a operação, demos uma saída  do hospital para, então, voltar algumas horas depois. Isto evitava que nossa ansiedade fosse muito grande durante o tempo em que ele estivesse sendo operado.

Por volta de umas 17h30, voltamos para o hospital e ficamos no aguardo do término da cirurgia. Esperamos, esperamos, esperamos. Que aflição! Por mais que a gente tenha fé, e entregue tudo nas mãos de Deus para que Ele faça o melhor, não é nada fácil ficar no corredor do centro cirúrgico à espera de notícias.

As horas continuavam passando e eu respondendo as mensagens para as pessoas de que ainda não havia terminado. Para amenizar a situação, comentei com com minha mãe que no google dizia que este tipo de cirurgia podia durar até 6 horas...

Somente umas 20h20, o neurocirurgião falou comigo que tinha corrido tudo bem - que eles vasculharam muitas áreas para encontrar o foco do problema - hematoma. Lembro que eu fui logo perguntando se ele estava vivo rs.

Alguns minutos depois, pudemos vê-lo na UTI, com um corte muito maior e um pouco mais confuso em relação ao modo como ele saiu das outras operações. Até mesmo o dreno era diferente.... parecia um balde com sangue ao lado dele :(

Mas, afinal, foi algo bem mais complexo, né?! Não havia o que fazer, a não ser mais uma vez, pedir para Deus tomar conta da situação.

Deixamos ele descansando na UTI, e voltamos para casa - tentar descansar e dormir.


domingo, 1 de março de 2020

Ops! Algo deu errado...

Dia 11 de fevereiro de 2020.

De manhã, passei na casa da minha mãe para deixar minha filha e ir para o trabalho. Logo que cheguei, minha tia, que ia voltar para a casa no RJ naquele dia, avisou que meu pai não estava legal. Minha mãe confirmou que ele não havia passado bem a noite. Ficou muito tempo achando que queria ir ao banheiro, um pouco confuso.

Cheguei no quarto dele e falei para que se levantasse da cama para eu ver como ele estava - meio abatido e um pouco lento. Então, disse para ele ficar no sofá, vendo um tv e se distraindo.

Ao chegar no trabalho, comentei com os colegas que ele estava muito estranho. Mas, preferi não ligar para minha mãe e deixar as horas passarem. 

Logo após o almoço, por volta de umas 14h, mandei uma mensagem para minha mãe e ela respondeu que ele estava pior - só de olho fechado, sem muita reação, sem atitude de segurar o talher para comer e ainda babando!

Um pouco em choque, peguei rapidamente, peguei minhas coisas e fui para a casa deles. Neste momento, me senti um pouco sem fé, meio desanimada. Fui pedindo a Deus para me ajudar. No fundo, eu sabia que algo muito errado estava acontecendo...

Realmente, ele teve uma piora severa. Era como se, do dia para a noite, ele tivesse envelhecido mais uns 30 anos.

De volta ao hospital, há apenas 1 dia após ter tido alta, expliquei toda a situação e ficamos aguardando para ser atendido. Foi necessário repetir a tomografia, além de outros exames. A médica do Pronto-socorro fez os exames para descartar AVC, e avisou que chamaria o neurocirurgião, mas sem nos comunicar nada sobre o resultado do exame de imagem.

Algum tempinho depois, lembro de um dos médicos dele adentrando na sala de retaguarda do PS, bem ligeiro e já veio ao meu encontro. Disse que analisaria a tomo dele.

O resultado? O pior para nós, naquele momento. Ele estava com mais sangramento na cabeça e precisava operar com urgência - mais uma vez -  a terceira vez!

Nesta hora, eu falei para o médico que acreditava que Deus operava milagres através da vida deles!

Mas, eu desabei -  a minha mãe também. Que situação difícil e tensa! Lembro que peguei o telefone e chamei as minhas tias para elas virem do Rio para SP, pois a gente estava precisando de ajuda :(

Também cheguei perto dele e fiz uma oração, e, até mesmo confuso e sonolento, ele mesmo orou. 

Assim, terminou nossa noite. Ele voltou para a UTI, à espera da cirurgia que seria no dia seguinte.



Expectativa

Outra cirurgia implicava, necessariamente, mais dias na UTI, e todo aquele cuidado para evitar infecção, até porque o dreno aumenta este risco. 

Mas, felizmente, o pós-operatório corria bem. Aos poucos, ele comia sozinho, caminhava com a fisioterapeuta, mexia um pouco no celular.

No dia de tirar o dreno, eu estava e pude acompanhar, inclusive, a injeção na cabeça para anestesiar o local e evitar mais desconforto (eu adoro ver estas coisas).


Admito que é algo bem estranho, parece coisa de filme futurista...

Como de praxe, era feita tomografia para acompanhar o hematoma e o médico sempre passava diariamente para conversar com a gente.

No domingo, dia 9 de fevereiro de 2020, meu pai pôde ir para o quarto :) Janelas grandes, liberdade de ficar sem eletrodos...

Então, para nossa surpresa, no dia seguinte, justamente no caótico dia pós- chuvas que parou São Paulo, no fim da tarde, o neurocirurgião deu a tão esperada notícia que meu pai estava de alta.

Rapidamente, arrumamos tudinho e bora pra casa :)

A recomendação foi para ficar quietinho, sem visitas, sem tumulto; como se estivesse no hospital, a diferença era que estaria no lar doce lar ( e que diferença!). E, depois de alguns dias, era preciso comparecer ao consultório para retirar os pontos.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Cirurgia antecipada


Dia 06 de fevereiro de 2020.


De fato, meu pai apresentava-se muito parado, com sono e permanecia enjoado. E, para nossa surpresa, o neurocirurgião passou logo pela manhã e avisou que iria operá-lo naquele dia mesmo, não aguardaria o dia seguinte.


Aproveitamos o momento para tentar descontrair e brincar com o fato de que ele teria mais um pouco do cabelo raspado - autorizamos até que raspasse tudo para facilitar os trabalhos do médico.


Depois, fui assinando (mais uma vez) a papelada com os termos de consentimento para a operação - em um deles dizia dos riscos envolvidos, dentre eles, paralisia em uma dos lados do corpo, fissura, e até óbito :( 


Nessas horas, a gente olha para o alto, de onde vem nosso socorro - que vem do Senhor! Assina e segue em frente, crendo que ele está no controle!


No fim da tarde, lá se foi ele, de volta ao centro cirúrgico. Retornando para a UTI, eu cheguei para vê-lo e estava tudo bem - careca e novamente com dreno.




Coleção na tomografia

Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, meu pai estava bem. Queixava-se um pouco de dor, mas estava com uma boa fisionomia e aliviado por ter corrido tudo bem na operação. A tomografia realizada mostrou que a intervenção havia tido o resultado esperado.

Porém, depois, fomos observando que ele começou a ficar bastante sonolento e passou a sentir enjôos. Inclusive, vomitou. Mas, como ele tomou anestesia geral, isto poderia ser uma reação da sedação. Era preciso aguardar e ver se o quadro melhorava.

Na quarta-feira, dia 05 de fevereiro de 2020, quando o médico de plantão da UTI foi conversar comigo sobre o boletim médico, ele comentou que era preciso aguardar o neurocirurgião pois na tomografia tinha aparecido "coleção". Ao perguntar o que era isso, ele falou líquido que podia ser outro sagramento.

Assim que o neurocirurgião chegou, ele parecia animado, e disposto até a dar alta para meu pai ir para o quarto. Então, eu comentei que o plantonista disse que havia dado coleção no exame. Prontamente, ele foi analisar a tomo, e voltou com uma notícia não muito boa. Não era algo muito comum de acontecer, segundo ele informou. Havia formado mais líquido em outra parte da cabeça e era preciso operar novamente - dessa vez, mais perto da testa.

Após conversar um pouco com a gente, o neuro avisou que pretendia operá-lo na sexta-feira, e ainda recomendou observar se ele não teria uma piora. O fato de ele estar daquele jeito - sono e enjôo - era bem característico da manutenção do hematoma.

Depois disso, me recordo de dar o chá para meu pai com as mãos tremendo, ao mesmo tempo em que eu tentava acalmá-lo dizendo para que não se preocupasse pois tudo daria certo!

Neste dia, acabei dormindo na UTI para acompanhá-lo de perto - minha mãe não podia ir ao hospital, pois estava bem gripada.

Devo dizer que não é nada agradável ficar com aqueles barulhos dos aparelhos monitorando os sinais vitais, mas, enfim, era preciso aguardar até que a nova intervenção fosse feita.








sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Dia D

Logo após a cirurgia, meu pai foi direto para a UTI Neurológica. Apesar de pouco sonolento, falamos e ele respondeu bem. Estava com a cabeça raspada em uma pequena região, e com um dreno.
Os médicos neurocirurgiões comentaram que a pancada foi muito forte, pela maneira como eles observaram os coágulos - e que ele podia ter morrido! 

Então, a previsão era de que, de 2 a 3 dias, ele sairia do hospital.


Neste contexto, vale dizer, não dá pra deixar de usar o capacete ;)

Os riscos existem e eles podem comprometer a sua vida para sempre!