Sem dúvidas, os dias após a terceira cirurgia foram os mais difíceis! E, de fato, os médicos nos avisaram que seria uma intervenção maior, justamente para vasculhar profundamente os locais onde estavam se formando os hematomas. E, por isso, era previsto mais tempo de internação.
Pois bem, no dia seguinte, observamos que ele estava muito, muito sonolento. Para que ele se alimentasse, era preciso estalar os dedos, chamando-o, e mesmo assim, os olhos se fechavam.
Quando o neurocirurgião passou na visita, disse que podia ser pelo estresse da operação. E que do jeito que ele estava, não ia adiantar muito ficar insistindo para que ele ficasse acordado.
Enquanto ele apagava, eu percebia minha mãe com aquele olhar bastante preocupada e cansada.
Depois, as poucas palavras que ele falava, parecia que era com dificuldade - apresentava um pouco de rouquidão e estava com dificuldade de engolir. Poderia ser da entubação. Após alguns dias, descobriram que ele estava com feridas na garganta e na boca, então era complicado mesmo para comer e beber.
Ainda, como ele não podia se levantar nos primeiros dias, foi colocada fralda. Então, aconteceu algo chato - ele ficou sem percepção para urinar. Como esta situação era delicada! E nós queríamos avançar esta parte e pular para a fase em que tudo voltava a ficar bem :(
Os médicos conversavam muito com a gente e falavam que a permanência na UTI era muito ruim pois o paciente ficava sem noção do exterior, sem ver uma janela, sem contato com o mundo... e que isso ia passar ...
Nesses momentos, Deus nos sustentava e nos ajudava a tirar força de onde não havia mais força.



