sábado, 29 de fevereiro de 2020

Cirurgia antecipada


Dia 06 de fevereiro de 2020.


De fato, meu pai apresentava-se muito parado, com sono e permanecia enjoado. E, para nossa surpresa, o neurocirurgião passou logo pela manhã e avisou que iria operá-lo naquele dia mesmo, não aguardaria o dia seguinte.


Aproveitamos o momento para tentar descontrair e brincar com o fato de que ele teria mais um pouco do cabelo raspado - autorizamos até que raspasse tudo para facilitar os trabalhos do médico.


Depois, fui assinando (mais uma vez) a papelada com os termos de consentimento para a operação - em um deles dizia dos riscos envolvidos, dentre eles, paralisia em uma dos lados do corpo, fissura, e até óbito :( 


Nessas horas, a gente olha para o alto, de onde vem nosso socorro - que vem do Senhor! Assina e segue em frente, crendo que ele está no controle!


No fim da tarde, lá se foi ele, de volta ao centro cirúrgico. Retornando para a UTI, eu cheguei para vê-lo e estava tudo bem - careca e novamente com dreno.




Coleção na tomografia

Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, meu pai estava bem. Queixava-se um pouco de dor, mas estava com uma boa fisionomia e aliviado por ter corrido tudo bem na operação. A tomografia realizada mostrou que a intervenção havia tido o resultado esperado.

Porém, depois, fomos observando que ele começou a ficar bastante sonolento e passou a sentir enjôos. Inclusive, vomitou. Mas, como ele tomou anestesia geral, isto poderia ser uma reação da sedação. Era preciso aguardar e ver se o quadro melhorava.

Na quarta-feira, dia 05 de fevereiro de 2020, quando o médico de plantão da UTI foi conversar comigo sobre o boletim médico, ele comentou que era preciso aguardar o neurocirurgião pois na tomografia tinha aparecido "coleção". Ao perguntar o que era isso, ele falou líquido que podia ser outro sagramento.

Assim que o neurocirurgião chegou, ele parecia animado, e disposto até a dar alta para meu pai ir para o quarto. Então, eu comentei que o plantonista disse que havia dado coleção no exame. Prontamente, ele foi analisar a tomo, e voltou com uma notícia não muito boa. Não era algo muito comum de acontecer, segundo ele informou. Havia formado mais líquido em outra parte da cabeça e era preciso operar novamente - dessa vez, mais perto da testa.

Após conversar um pouco com a gente, o neuro avisou que pretendia operá-lo na sexta-feira, e ainda recomendou observar se ele não teria uma piora. O fato de ele estar daquele jeito - sono e enjôo - era bem característico da manutenção do hematoma.

Depois disso, me recordo de dar o chá para meu pai com as mãos tremendo, ao mesmo tempo em que eu tentava acalmá-lo dizendo para que não se preocupasse pois tudo daria certo!

Neste dia, acabei dormindo na UTI para acompanhá-lo de perto - minha mãe não podia ir ao hospital, pois estava bem gripada.

Devo dizer que não é nada agradável ficar com aqueles barulhos dos aparelhos monitorando os sinais vitais, mas, enfim, era preciso aguardar até que a nova intervenção fosse feita.








sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Dia D

Logo após a cirurgia, meu pai foi direto para a UTI Neurológica. Apesar de pouco sonolento, falamos e ele respondeu bem. Estava com a cabeça raspada em uma pequena região, e com um dreno.
Os médicos neurocirurgiões comentaram que a pancada foi muito forte, pela maneira como eles observaram os coágulos - e que ele podia ter morrido! 

Então, a previsão era de que, de 2 a 3 dias, ele sairia do hospital.


Neste contexto, vale dizer, não dá pra deixar de usar o capacete ;)

Os riscos existem e eles podem comprometer a sua vida para sempre!





terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Pronto-Socorro

Dia 02 de fevereiro de 2020.

Após passar mal toda a madrugada com dor de cabeça, minha mãe convenceu meu pai de que ele devia ir ao hospital. Sim, ele ainda estava relutando para procurar um médico!
Então, naquele domingo pela manhã, ela me ligou para avisar que ele, finalmente, foi ao pronto-socorro. 
Pouco tempo depois, ela retorna a ligação, com a voz embriagada, para avisar que ele ficaria internado, pois precisava ser operado com urgência.
Hora de respirar fundo - tomar um banho rápido e ir orando, pedindo a Deus para estar no controle da situação.
Ao chegar no hospital, aguardamos a chegada do neurocirurgião para entender o ocorrido.
A tomografia realizada acusou coágulos - hematoma subdural - devido à queda. 
A cirurgia foi realizada no início da noite.
Enquanto aguardávamos o retorno dele da operação, no corredor da UTI Neurológica, eu tirei esta foto.
Pensei que depois que acabasse tudo, eu poderia contar o que Deus fez por nós. E, pensar que isto era apenas o começo...



Sinal de alerta


Passados alguns dias, após a queda, e eu tendo retornado para SP, soube que meu pai vinha sentindo dores de cabeça. Muitas pessoas orientavam-no para que passasse em um médico, afinal, ele havia tomado um baita tombo! Mas, ele foi adiando esta consulta. 

Inclusive, me recordo bem, em um dia qualquer, antes de ir pro trabalho, passei na casa dos meus pais e minha mãe expressou preocupação com relação às dores de cabeça dele.

Não posso recriminá-lo, pois isto é algo que, infelizmente, costumamos fazer. Vamos deixando de fazer o que deve ser feito para fazer outras coisas que acreditamos ser mais importante - mas, nada, nada deveria ser prioridade antes da nossa saúde. 

Bem, o que vinha depois, a gente não podia nem imaginar... 


Por isto postei esta foto  - um entardecer na praia - há poucos dias antes do acidente, eu caminhava tranquila, na praia e refletia sobre minha vida e o quanto Deus é bom! Sim, ele é bom o tempo todo, independentemente do que estamos passando...

Depois daquela queda

Era dia 10 de janeiro de 2020. 

Como sempre fazemos, lá estávamos passando as férias de verão em Saquarema, no Rio de Janeiro. Após uma manhã curtindo a praia, naquele baita calor, era hora de preparar o almoço. Dá banho em criança, tira a comida que tem na geladeira, e, então, eu resolvo pedir para meu pai buscar uma "quentinha" em um restaurante para mim.

Lá foi ele, reclamando, mas prestativo com a bicicleta.

Não se passaram nem 5 minutos, quando gritaram no portão para avisar que ele havia caído e se machucado. 

Rapidamente, peguei a chave do carro e fui até a esquina da rua, onde o rapaz que o socorreu vinha trazendo-o pelo braço. Naquele momento, vi meu pai com o rosto um pouco ensangüentado, e me lembro bem da frase: "Olha, ele bateu a cabeça. Ficou tonto"

Fomos até o Posto Médico da cidade. Ali, ele recebeu os cuidados nos machucados, tomou pontos próximo à sobrancelha e recomendaram que voltasse para a troca dos curativos.
Além disso, foi prescrito Nebacetin para as feridas e injeção para evitar o Tétano por conta da corrente da bike, um pouco enferrujada.

Lanchamos e voltamos pra casa - aparentemente, estava tudo bem-  aparentemente!